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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ramones



Prelúdio

Antes da confirmação da vinda do Ramones ao Brasil, a banda lançou, em janeiro de 1994, um disco exclusivamente de covers. "Acid Eaters" trazia algumas das bandas favoritas dos caras. Nomes como: Bob Dylan, Jefferson Airplane, The Who, Creedence Clearwater Revival, The Animals e Rolling Stones entre outros.

Covers sempre estiveram presentes em alguns dos álbuns da banda. Alguém se lembra de Surfin Bird, do Trashmen, ou Take It As It Comes, do Doors?

O grande sucesso de "Acid Eaters" levou a banda sair em turnê pelo mundo. A euforia em torno da turnê rendia notas constantes na mídia. Em março, Johnny, em entrevista a FOLHA, revelou que o fim da banda estava próximo, pois havia chegado o momento de pararem. Também confirmou a passagem da turnê pela América do Sul, em meados de maio.

Em abril, Joey já confirmava o fim da banda, mas, ao final da turnê, gravariam um disco de despedida, tratava-se de "Àdios Amigos", que seria lançado apenas em julho de 1995. E as principais mídias noticiavam as datas da turnê para os dias 10 e 11 de maio. Também confirmavam o cancelamento do vinda do Stone Temple Pilots, que abriria os shows.

Devido a grande procura e o rápido esgotamento dos ingressos, os organizadores confirmam um show extra marcado para o dia 12.

O show: quinta-feira, 12 de maio de 1994

Em sua quarta passagem pelo Brasil os Ramones lotaram o Olympia com aproximadamente 5.000 em cada show. Nos dois primeiro dias houve histeria e choradeira porque vários menores foram impedidos, pela PM, de entrar por causa da censura de 16 anos. Os que conseguiram burlar foram pegos e expulsos pelos oficiais do juizado de menores.

A abertura ficou por conta do Inocentes, que tocaram as músicas bem rápido, ao estilo Ramones, do início da carreira, já que o primeiro baixista da banda, Calegari, acabara de retornar.

Após a abertura, para delírio de todos e inclusive eu, lá estavam os caras tocando todos os clássicos, quase sem interrupção mas sempre aos gritos de "Hey-Ho, Let’s Go!". Não faltaram nem os covers que já havia inundados as rádios.

O ápice veio quando Blitzkrieg Bop foi dedicada ao piloto Ayrton Senna, que acabara de morrer após sofrer acidente em Imola (Itália).

Era de dar arrepios, principalmente para quem nunca tinha visto a banda e aguardava ansiosamente.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

In memoriam 2


35 mil pessoas é um número considerável?

Sábado, 07 de setembro de 1994: após 3 anos sem tocar em São Paulo, tempo em que ficaram excursionando pela América Latina (valendo até disco de ouro e de platina na Argentina), Os Paralamas do Sucesso levam 35 mil pessoas ao Vale do Anhangabaú.

É pouco?

Nunca vi tanta gente junta no Vale! E ainda dançando!

Show memorável promovido pela Secretaria Municipal de Cultura. Por isso o meu protesto: Cadê os shows do Vale?

Pra quem não sabe os Paralamas é formado por Herbert Viana, vocal e guitarra, Bi Ribeiro, baixo, e João Barone, bateria.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Somewhere Back in Time




1985, 1992, 1996, 1998, 2001, 2004 e 2008

Logo que os ingressos começaram a ser vendidos, em dezembro, não demorou muito para que em menos de uma semana já estivessem esgotados.

Dezembro passou! 2007 acabou! Então chegou 2008! Aí começou a tortura: janeiro, fevereiro e enfim março!!!!

Dá para notar o quanto fiquei ansioso ao longo desses quase 3 meses por não ter conseguido meu ingresso para o show do Iron. Também pudera ouço e gosto dos caras desde os meus 9 anos.

A história começa assim: em 1986 meu pai adoeceu e devido a um câncer ficou internado alguns meses. Infelizmente, logo após esse período ele faleceu. Por causa disso eu e meus dois irmãos, menores, passamos uma temporada na casa da minha irmã mais velha, filha do 1º casamento de meu pai.

A tristeza dessa perda me levou a passar as horas ouvindo música. Era a única maneira de meus pensamentos sumirem e o meu corpo ficar numa espécie de torpor, anestesiando a dor que eu não conseguia suportar.

Meu sobrinho, mais velho do que eu, tinha muitos discos e fuçando neles foi então que eu me deparei com um assustador: era “The Number of the Beast”!

Ver um demônio sendo manipulado por uma caveira, que me lembrava à morte, na capa do disco me chocou! E de alguma forma aquilo me despertou uma curiosidade! Foi assim que eu comecei a ouvir Iron Maiden!

Como esse blog trata de memórias a partir de tickets não podia deixar de contar essa história porque ela é marcante e é a partir dela que eu estava ali em frente ao Parque Antártica em busca do meu ingresso. No final eu o consegui das mãos de um interiorano, de São Paulo, que tentava vendê-lo a um cambista. Paguei o dobro por ele, e mais 2 cervejas, deixando o cambista furioso. (hahahahahahaha)

Abertura

Pontualmente às 19 horas Lauren Harris – nem preciso dizer de quem ela é filha (rs) – e sua banda abriram o show. Tocaram por cerca de meia hora. A banda até que se esforçou para animar o público mas a euforia por Iron era tão grande que não ajudou muito.

O som era regular. Nada demais! O estilo era um heavyzinho, com pitadas de Hard Rock, bem fraco.

Iron Maiden

Então Winston Churchill discursa: começa Aces High! Explodi de alegria! Naquele momento nada mais importava. Deixei de lado as frustrações, as tristezas e as decepções. Assim como eu o público delirava, nem nos importamos com a falha do microfone do Bruce nem com a chuva que caia. Era tanta energia que se cada fã fosse uma bomba de nêutrons e o palco fosse uma atômica o mundo tinha acabado.

Em seguida vieram as músicas Two Minutes to Midnight e Revelation: cantávamos em coro com os braços erguidos saudando uma das maiores bandas de heavy metal. Ao final delas Bruce entra vestido de soldado inglês com a bandeira do Reino Unido e grita: “The Trooper!”. "Puta que pariu!" Desculpe o palavrão mas foi isso que senti quando a música começou.

Wasted Years me fez perder o fôlego!

Can I Play With Madness me fez rir e lembrar que eu estava de camiseta rosa no meio de uma massa de camisetas negras. Eu não havia saído de casa e por isso não estava apropriado. Também não podia gastar mais comprando uma. Pouco me importava se eu destoava de todos, estava ali apenas para ouvir os caras!

The Rime of the Ancient Mariner foi para mim a maior surpresa! Nunca imaginei ouvir isso ao vivo! E se o Iron tocasse apenas essa música eu já me dava por satisfeito!

Powerslave eu ouvi calado me concentrando apenas nos riffs de guitarra.

The Number of the Beast, Heaven Can Wait, Run to the Hills e Fear of the Dark formaram a seqüência mais cantada e eufórica de todo o show.

E como tudo que é bom acaba! Veio Iron Maiden, essa teve o Eddie desfilando pelo palco. E no refrão eu me esgoelava!!!

O bis foi divertido e interessante com Moonchild, The Clairvoyant e Hallowed be thy Name mas faltou Flight of Icarus para fechar a noite, o show e a turnê. Entretanto se a promessa do Bruce se cumprir em 2009 eu estarei lá para ouví-la, ver as explosões e os bonecos!

Vida longa ao Maiden!!!

segunda-feira, 10 de março de 2008

Velhas Virgens


Sábado, 1º de março de 2008.

Fiz o pré aquecimento para o show do Iron Maiden assistindo um dos Velhas Virgens, no Inferno Club. A banda é uma das mais polêmicas do underground paulistano por misturar música, bebedeira, putaria e palavrões! Parece agressivo? Essa é a intenção!

E como era de se esperar o público acompanhou todas as letras se divertindo com muita cerveja, os Velhas têm fãs fieis que estão sempre com a banda onde quer que ela esteja.

Os caras mandaram bem à noite toda com a performance irreverente de sempre. No final, ainda brincaram tocando introdução de velhos clássicos do rock de bandas como Iron Maide, Black Sabbath e Rage Against the Machine.

Foi divertido!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Fight





Quarta-feira, 16 de março de 1994.

Três anos após se apresentar no Rock In Rio, Rob Halford retornou ao Brasil com sua nova banda.

O Fight inicialmente era um projeto paralelo, porém em 1992 Rob abandonou o Judas Priest para se dedicar exclusivamente ao Fight. Sua formação tinha, além de Rob nos vocais, Brian Tilse e Russ Parrish nas guitarras, Jay Jay no baixo e Scott Travis, ex-Judas, na bateria.

Com a turnê do seu primeiro disco, War Of Words, o Fight fez um show memorável no Olympia no qual tirou suspiros da galera com seu hit “Little Crazy”. Do Judas, se limitou às musicas "Hell Bent For Leather”, “Running Wild” e “Green Manalishi”, entretanto chegou a incendiar o público, e em seguida a frustrá-los, inclusive a mim, ao tocar apenas a introdução de “Painkiller”.

Eu, ainda garoto e com 17 anos, tinha ido para ouvir “Painkiller”. Era minha estréia em shows de metal (mesmo que o Fight não seja tão metal assim). Fiquei decepcionado, esperava um show do Judas, mesmo sabendo que era uma nova banda, mas valeu ver Rob Halford em terras tupiniquins! Mesmo com seu visual sóbrio!

Em 1995 o Fight gravou seu segundo e último álbum: Small Deadly Space.

Curiosidades:

Ingressos: CR$ 8.000,00 a R$ 12.000,00
(alguém se lembra que moeda era essa? – rs)

Olympia
Rua Cléria, 1.517
Lapa
(11) 864-7333


War Of Words
1993
Sony


01. Into The Pit
02. Nailed To The Gun
03. Life In Black
04. Immortal Sin
05. War Of Words
06. Laid To Rest
07. For All Eternity
08. Little Crazy
09. Contortion
10. Kill It
11. Vicious
12. Reality, A New Beginning (Jesus Saves - faixa escondida)


Mutations [EP]
1994
Sony


01. Into The Pit (Live)
02. Nailed To The Gun (Live)
03. Freewheel Burning (Live)
04. Little Crazy (Live)
05. (Bloody Tongue Mix) War Of Words
06. (Dutch Death Mix) Kill It
07. (Middle Finger Mix) Vicious
08. (Tolerance Mix) Immortal Sin
09. (Straight Jacket Mix) Little Crazy


Small Deadly Space
1995
Sony


01. I Am Alive
02. Mouthpiece
03. Legacy Of Hate
04. Blowout In The Radio Room
05. Never Again
06. Small Deadly Space
07. Gretna Greene
08. Beneath The Violence
09. Human Crate
10. In A World Of My Own Making

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

In memoriam





Onde estão os bons shows do Vale do Anhangabaú?

Sexta-feira, 13 de maio de 1994.

O Show gratuito do Titãs no Vale do Anhangabaú numa sexta-feira 13 foi memorável. A data nada influenciou no show, mas talvez tenha influenciado na carreira da banda, pois de lá pra cá eles nunca mais conseguiram gravar algo interessante.

Nessa época havia vários shows de qualidade no centro velho de São Paulo.

Tocaram músicas do disco Titanomaquia* (como já disse: "último disco com algo que prestasse") e velhos clássicos.

A abertura foi do Raimundos, que na época era banda nova, pouco conhecida e que acabara de lançar disco pelo selo Banguela (do produtor Carlos Miranda junto com o Titãs).

Infelizmente não existe ticket para shows gratuitos e ao ar livre!

*O disco vinha num saquinho igual aos de lixo (aquele todo preto e grosso) e dentro a capa era colorida (veja acima).

Titanomaquia
1993
WEA


01. 02:49 Será que é disso que eu necessito?
02. 02:15 Nem sempre se pode ser Deus
03. 02:46 Disneylândia
04. 02:05 Hereditário
05. 03:42 Estados alterados da mente
06. 03:35 Agonizando
07. 02:11 De olhos fechados
08. 03:27 Fazer o quê?
09. 02:22 A verdadeira Mary Poppins
10. 02:13 Felizes são os peixes
11. 03:45 Tempo pra gastar
12. 03:07 Dissertação do papa sobre o crime seguida de orgia
13. 03:36 Taxidermia

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

1º Show, 1º ticket!




7ª edição do Hollywood Rock

Sábado, 15 de janeiro de 1994: 1º show, 1º ticket da coleção*, 1ª vibração Rock and Roll!!!

*(o ticket, na verdade um cartão magnético, foi engolido pela maldita catraca destruidora de lembranças. Um verdadeiro monstro capitalista! Mas restou a capinha para minha recordação – rs )

Nunca tinha visto o Morumbi tão cheio! O público não estava, como de costume, apenas nas arquibancadas. Eles haviam dominado todo o gramado. Isso para mim era novidade porque o gramado era reservado apenas a jogadores de futebol e não para meros torcedores-espectadores!

Essa emoção e a experiência do primeiro show de rock eu compartilhei com um amigo, o Michel – cujo show não era o primeiro, e com minha irmã, que jamais a imaginei por ali.

A Cássia, na época com 24 anos, tinha até a camiseta oficial do evento, que nem sei de onde ela havia tirado, e um dia antes havia rasgado uma calça novinha da Khelf pra ficar no estilo! Sem contar aquele All Star de cano longo que junto com os demais acarpetavam o Morumbi.

Eu, com 17, ainda frustrado por não ter ido, um ano antes, ver o Nirvana cuspir nas câmeras da Globo, e sequer tive a oportunidade de ir ao Rock n’ Rio – acho que é por isso que eu sou assaltado toda vez que vou pra lá – delirava com a fumaça alheia dos maços de Hollywood, com o aperto das pessoas para se aproximarem da grade e com aquele ar de liberdade típico de shows de Rock!

A abertura do festival foi com o Titãs: tocaram músicas do Titanomaquia, último álbum com algo que prestasse e primeiro sem o Arnaldo Antunes, e antigos clássicos (como Polícia, Marvin e Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas). O show foi bem agitado e eles conseguiram animar o começo de noite. Saíram aplaudidos!

O segundo foi o do Poison: lembro claramente da gigantesca maioria do público sentar no gramado pelo tédio daquele som enquanto viam catatonicamente algumas “coisas teen”, de ambos os sexos, gritarem para aquele bando de cabeludos metidos a sex symbol, ricos e “patrocinados pela indústria de cosméticos”!

E fechando a noite: Aerosmith!!!!

Os caras tinham acabado de superar a fase mais tóxicas de suas vidas. Lembro até de uma entrevista em que um dos integrantes dizia ter “cheirado seu helicóptero”. Algo realmente impressionante e tipicamente rock star!

A performance de palco do vocalista Steve Tyler e a guitarra de Joe Perry conduziram a noite divinamente! Até hoje tenho ótimas lembranças daquele dia porque sai de lá com a sensação de que ser rock star é a única que realmente vale a pena!
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